
Homens de diversas idades participaram na manhã de hoje, dia 6, no Ministério Público estadual, do ‘I Encontro de homens pelo fim da violência contra mulheres’. O evento marcou a passagem do ‘Dia nacional de mobilização dos homens pelo fim da violência contra mulheres’ e propiciou reflexões para os que estão abraçando a luta. A promotora de Justiça que coordena o Núcleo de Enfrentamento às Violências de Gênero e em Defesa dos Direitos das Mulheres (Nevid), Sara Gama, destacou aos presentes que nascer homem numa sociedade machista é nascer cheio de privilégios aos quais as mulheres não têm acesso e conclamou cada um a não subjugar ninguém em razão do gênero, raça, etnia ou religião. “Vocês, homens, têm o mundo. Nós, mulheres, estamos agarrando, tirando na unha os nossos bocados deste mundo que é nosso também”, ressaltou ela.
Sara Gama lembrou que o privilégio de ser homem na nossa sociedade vem desde muito cedo. Ali, quando pequenos, os homens já são livres, exploram o espaço público enquanto as mulheres ficam com o espaço da casa, do quarto, com brinquedos que geralmente ensinam sobre o cuidar. “Desde sempre, mostram que o nosso espaço é pequeno e não o do mundo”, lamentou ela,
Durante o evento realizado pelo Município com o apoio do MP foi apresentada a campanha ‘Laço Branco’, que lembra da necessidade da luta baseada numa situação que ocorreu em Quebec, no Canadá, quando um estudante invadiu uma sala do curso de Engenharia para matar todas as estudantes mulheres porque, segundo ele, ali não era local de mulher. A secretária municipal de Políticas para as Mulheres, Fernanda Lôrdelo, destacou a importância da campanha e da sensibilização dos homens pelo fim da violação aos direitos das mulheres. “Esta causa é de todos”, conclamou ela, frisando que é fundamental a participação dos homens no enfrentamento à violência doméstica e familiar.
Fernanda Lôrdelo lembrou que os dados do Brasil são alarmantes. Somente em 2023, disse ela, foram notificados mais de 74 mil estupros cometidos contra crianças de 0 a 13 anos de idade. Para a secretária, “fóruns como este são importantes para que se tire o país dessa onda de violência que acaba com nossos filhos e famílias”. A representante da Secretaria Estadual de Política para
O professor Antônio Eduardo Carvalho fez uma apresentação on-line, diretamente do Canadá, para falar sobre ‘Modelos de intervenção junto a homens autores de violência conjugal vigentes no Brasil e no Canadá’. Ele informou que, somente no primeiro semestre de 2023, 722 mulheres foram vítimas de feminicídio no Brasil e esta é uma realidade de violência que acontece em todo o mundo. Em Quebec, disse o professor, existe uma associação que reúne 39 organizações que realizam trabalhos com homens autores de violência contra mulheres e isso ocorre de forma contínua porque existem políticas públicas de Estado, mas, no Brasil, as ações tendem a ser pontuais e uma das razões é a falta dessa política e do consequente financiamento.

Fotos: Sérgio Figueiredo
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