A crise enfrentada pela citricultura do Litoral Norte e Agreste Baiano chegou ao Governo Federal nesta quarta-feira (12). O deputado federal Joseildo Ramos (PT-BA) apresenta à ministra do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), Fernanda Machiaveli, uma pauta com medidas emergenciais e estruturantes construídas a partir de demandas de produtores, cooperativas, associações e gestores municipais da região.
A agenda foi articulada após a Reunião Regional da Citricultura, realizada em 21 de julho, em Esplanada. O encontro reuniu representantes do setor para discutir as dificuldades enfrentadas pelos produtores, especialmente a queda nos preços, a redução de compradores e os obstáculos para o escoamento da produção.
Produção coloca Bahia entre os maiores produtores
Dados da Produção Agrícola Municipal (PAM) do IBGE mostram que a Bahia produziu 604,5 mil toneladas de laranja em 2024, cultivadas em uma área de 48,9 mil hectares. Com esse volume, o estado ocupou a quarta posição entre os maiores produtores brasileiros, atrás de São Paulo, Minas Gerais e Paraná.
Apesar da expressiva produção, o rendimento médio baiano ficou em 12,35 toneladas por hectare. Em São Paulo, o índice chegou a 33,85 toneladas por hectare, enquanto o Paraná registrou 32,96 toneladas por hectare.
Principal dificuldade está na comercialização
Para os produtores da região, o problema atual está relacionado principalmente à dificuldade de encontrar compradores e conseguir preços que garantam a continuidade da atividade.
O documento elaborado a partir da reunião em Esplanada aponta relatos de redução no número de compradores, limitações no recebimento das frutas pelas beneficiadoras e permanência de laranjas nos pomares por falta de comercialização. Também foram registradas ofertas próximas a R$ 250 por tonelada para a fruta destinada à indústria e entregue na fábrica.
Em março deste ano, a Secretaria da Agricultura da Bahia já havia registrado dificuldades enfrentadas pela citricultura em razão da queda dos preços provocada pelo excesso de oferta. Entre as alternativas discutidas estavam medidas envolvendo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA).
Pauta reúne oito propostas
A agenda apresentada ao Governo Federal reúne oito medidas consideradas prioritárias para enfrentar o cenário atual e fortalecer a cadeia produtiva.
Entre as propostas estão a ampliação das compras públicas da Conab, incluindo laranja in natura e suco produzido por organizações da agricultura familiar, além do fortalecimento do PAA e do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).
Também estão previstas ações para incentivar a agroindustrialização da citricultura, ampliar o apoio a agroindústrias da agricultura familiar e criar condições para a atração de indústrias de processamento de frutas cítricas para a Bahia.
A pauta inclui ainda a renegociação e reestruturação das dívidas dos produtores, o fortalecimento de cooperativas e associações e a ampliação do acesso a crédito, assistência técnica e extensão rural.
Industrialização é apontada como alternativa
Outro ponto defendido pelo setor é o aumento da capacidade de processamento da produção dentro do próprio estado. A falta de unidades industriais é apontada como um dos gargalos da cadeia produtiva, fazendo com que parte da produção precise ser destinada a unidades localizadas fora da Bahia.
A proposta é estimular a instalação de agroindústrias capazes de transformar a fruta em sucos, polpas e outros derivados. A medida poderia ampliar as possibilidades de comercialização e agregar valor à produção baiana.
Impacto ultrapassa os produtores
A citricultura possui influência direta sobre a economia de diversos municípios do Litoral Norte e Agreste Baiano. Segundo o documento elaborado pelos representantes do setor, mais de 30 municípios possuem suas economias relacionadas à produção de citros, envolvendo aproximadamente 40 mil famílias.
Além dos agricultores, a cadeia movimenta trabalhadores rurais, transportadores, cooperativas, fornecedores de insumos, comerciantes e prestadores de serviços.
Participação de representantes da região
A reunião com a ministra também contará com representantes de municípios do Litoral Norte e Agreste Baiano. Entre os nomes confirmados estão o prefeito de Alagoinhas, Gustavo Carmo; o vice-prefeito e secretário de Saúde, Luciano Sérgio; o prefeito de Esplanada, Nandinho da Serraria; além de gestores de Rio Real, Cardeal da Silva, Inhambupe, Crisópolis, Acajutiba, Aporá, Jandaíra e Entre Rios.
Também participarão representantes do Ministério do Desenvolvimento Agrário na Bahia, lideranças políticas, integrantes de entidades da agricultura familiar, representantes do Colegiado de Desenvolvimento Territorial Litoral Norte e Agreste Baiano e outras organizações ligadas à cadeia produtiva.
Proposta busca resposta emergencial e de longo prazo
A agenda apresentada ao Ministério do Desenvolvimento Agrário combina medidas voltadas à comercialização imediata da safra com ações destinadas a reduzir problemas estruturais da cadeia produtiva.
A intenção é ampliar os canais de venda, fortalecer a organização dos produtores e estimular investimentos capazes de aumentar o processamento e a agregação de valor à laranja produzida na Bahia.
“Não podemos aceitar que uma região produza riqueza e, na hora da colheita, o agricultor tenha que escolher entre vender abaixo do custo ou assistir à laranja apodrecer no pé”, afirmou Joseildo Ramos.