Bahia Economia
Governo federal pede investigação sobre alta da gasolina na Bahia e em outros estados
Senacon solicita análise do Cade após denúncias de aumentos expressivos nos combustíveis
11/03/2026 17h16
Por: Redação
Foto: Freepik

O governo federal iniciou tratativas para apurar aumentos considerados expressivos no preço da gasolina na Bahia e em outros estados brasileiros, além do Distrito Federal. A iniciativa partiu da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), vinculada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, que encaminhou um ofício ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) solicitando análise sobre possíveis irregularidades no mercado de combustíveis.

A medida foi anunciada na terça-feira (10) após manifestações públicas de entidades do setor que relataram aumentos significativos nos preços. As altas teriam ocorrido em meio ao agravamento do conflito no Irã, um dos principais produtores globais de petróleo, cuja tensão internacional já ultrapassava 12 dias de confrontos no momento das declarações.

Apesar da pressão internacional sobre o petróleo, a Petrobras ainda não anunciou reajustes nos preços praticados em suas refinarias.

Segundo a Senacon, caberá ao Cade avaliar se há indícios de práticas que possam prejudicar a livre concorrência, como eventual coordenação de preços entre empresas do setor. Em nota oficial, o órgão destacou que a solicitação faz parte do monitoramento contínuo das práticas comerciais para garantir transparência no mercado e proteger os consumidores.

Impacto direto no mercado baiano

Na Bahia, a formação de preços dos combustíveis possui características específicas. Desde 2021, a Acelen é responsável pela gestão da Refinaria de Mataripe, após a aquisição da unidade pelo fundo Mubadala Capital.

Diferentemente do modelo adotado pela Petrobras, a empresa utiliza uma política de preços alinhada ao mercado internacional. Recentemente, a Acelen anunciou reajustes de aproximadamente R$ 0,30 no preço da gasolina e de até R$ 0,80 no diesel, acompanhando a volatilidade das cotações globais do petróleo.

O Sindicombustíveis Bahia manifestou preocupação com os impactos desse cenário para o mercado local. Em nota, a entidade afirmou que diferenças de preços entre estados podem reduzir a competitividade baiana, especialmente em regiões de fronteira.

Segundo o sindicato, caminhoneiros que atravessam o país tendem a evitar abastecer em estados onde o combustível é mais caro, optando por parar em locais com valores mais baixos.

Gasolina ultrapassa R$ 7 em Salvador

Os efeitos das oscilações internacionais do petróleo já são percebidos nas bombas. Em Salvador, o preço da gasolina ultrapassou a marca de R$ 7 por litro em alguns postos.

Levantamento apontou reajustes expressivos em um intervalo de 24 horas. Em um posto localizado no bairro do Horto Florestal, por exemplo, o valor da gasolina comum passou de R$ 6,91 na segunda-feira (9) para R$ 7,13 na terça-feira (10). No mesmo estabelecimento, a gasolina aditivada chegou a R$ 7,43 por litro.

A alta acompanha o movimento de valorização do petróleo no mercado internacional, fator que costuma influenciar diretamente os preços dos combustíveis no Brasil, sobretudo em regiões que adotam política de preços atrelada às cotações externas.

Procurada para comentar o impacto dos valores sobre a competitividade em Salvador, a Acelen afirmou que mantém um modelo de preços baseado em fórmulas paramétricas e contratos estruturados com distribuidores. Segundo a empresa, esse formato busca garantir regularidade no abastecimento, previsibilidade logística e competitividade para o mercado baiano.