Polícia Política
Relatório da PF detalha ligações a Vorcaro, convites a festas e conversas sobre pagamentos envolvendo Toffoli
Documento de 200 páginas entregue ao STF aponta conexões entre o ministro e o dono do Master; magistrado nega irregularidades e ataca legitimidade da PF
12/02/2026 07h33
Por: Redação Fonte: Brasil247
Relatório da PF detalha ligações a Vorcaro, convites a festas e conversas sobre pagamentos envolvendo Toffoli (Foto: Divulgação)

Um relatório da Polícia Federal (PF), classificado por interlocutores do Supremo Tribunal Federal (STF) como "nitroglicerina pura", detalha a proximidade entre o ministro Dias Toffoli e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Segundo informações publicadas pelo jornal O Globo, o documento de cerca de 200 páginas reúne registros de telefonemas, convites para eventos pessoais e diálogos sobre pagamentos ligados ao resort Tayayá, de propriedade da família do magistrado.

O dossiê foi entregue pessoalmente pelo diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, ao presidente do STF, Edson Fachin. Embora não peça explicitamente a suspeição de Toffoli, o material elenca evidências encontradas no celular de Vorcaro que, na visão dos investigadores, tornariam inviável a permanência do ministro na relatoria do caso Master.

 

Sociedade em empresa familiar e repasses financeiros

De acordo com a colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, Toffoli admitiu a pessoas próximas ter recebido dinheiro da Maridt, empresa que vendeu sua fatia no resort Tayayá a um fundo gerido por familiares de Vorcaro em 2021. Pela primeira vez, revelou-se que o ministro é sócio direto da companhia, ao lado dos irmãos José Carlos e José Eugênio.

O relatório da PF destaca que o pastor Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e suposto operador do banqueiro, era um interlocutor frequente sobre os negócios envolvendo o resort. Em sua defesa, Toffoli sustenta que os repasses são lucros societários legítimos:

"Todas as transferências de recursos, feitas ao longo de diversos anos, foram lícitas e declaradas à Receita Federal. Têm origem e destino rastreáveis."

Toffoli classifica relatório como "ilações"

Em nota oficial, o ministro Dias Toffoli reagiu com dureza ao material produzido pela Polícia Federal, questionando a autoridade da instituição para sugerir seu afastamento do caso:

"O relatório da PF trata de ilações. A corporação não tem legitimidade para pedir minha suspeição por não ser parte no processo. Quanto ao conteúdo do pedido, a resposta será apresentada pelo ministro ao presidente da Corte."

Decisões sob suspeita e tensão com a PF

O desgaste entre o ministro e a Polícia Federal foi acentuado por uma série de decisões consideradas atípicas por membros da Corte e da corporação: