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MPBA e PF deflagram nova etapa da Operação Fogo Amigo contra esquema interestadual de armas e munições
Investigação aponta rede com participação de agentes públicos e comércio do setor bélico, com atuação ligada a facções na Bahia e em estados vizinhos
29/01/2026 10h16
Por: Redação
Divulgação/ Ascom SSP

A segunda fase da Operação Fogo Amigo, deflagrada na manhã desta terça-feira (27), reforçou o foco das autoridades sobre um ponto sensível da segurança pública: a suspeita de que agentes da lei e empresários do setor de armamentos estariam envolvidos em um esquema interestadual de fornecimento ilegal de armas e munições para facções criminosas.

A ação foi realizada de forma conjunta pelo Ministério Público da Bahia (Gaeco Norte) e pela Polícia Federal, com apoio de diferentes corporações militares e do Exército, e resultou no cumprimento de nove mandados de busca e apreensão em endereços residenciais e comerciais ligados a policiais militares e lojistas investigados.

Além das diligências, a Justiça determinou o bloqueio de até R$ 10 milhões em bens vinculados aos alvos, o afastamento de quatro policiais militares e a suspensão das atividades de duas lojas de armas, apontadas como irregulares no contexto das apurações.

Os mandados foram cumpridos em municípios de Alagoas — Maceió, Arapiraca e Marechal Deodoro — e de Pernambuco — Petrolina e Araripina. Conforme a investigação, o grupo é suspeito de integrar uma rede de comércio clandestino que abasteceria facções com atuação na Bahia, Pernambuco, Sergipe e Alagoas, ampliando o alcance do armamento ilegal na região.

Histórico da apuração
A ofensiva desta semana dá continuidade à primeira fase da operação, realizada em maio de 2024, quando foram cumpridos 20 mandados de prisão preventiva e 33 mandados de busca e apreensão na Bahia, em Pernambuco e em Alagoas. Na ocasião, as apurações incluíram policiais militares, CACs (colecionadores, atiradores e caçadores), empresários e comerciantes de armas.

Os investigados podem responder por crimes como organização criminosa, comércio ilegal de armas e munições, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica, com penas que, somadas, podem chegar a 35 anos de prisão.

As investigações seguem em andamento e, segundo as autoridades, novas medidas poderão ser adotadas a partir da análise do material apreendido, com o objetivo de desarticular fluxos de armas e munições e fortalecer os mecanismos de controle sobre o setor.