As indicações do Partido Liberal (PL) para presidir comissões importantes da Câmara dos Deputados foram duramente criticadas pela presidente do Partido dos Trabalhadores (PT), deputada federal Gleisi Hoffmann, nesta quinta-feira (7). Entre bolsonaristas que vão presidir as comissões estão Nikolas Ferreira (PL-MG), no comando da Comissão de Educação, e Caroline de Toni (PL-SC), na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
“Primeiro foi respeitada a proporcionalidade. Segundo, eu acho uma irresponsabilidade do PL indicar pessoas desse nível mal-educado para presidir a Comissão de Educação. Isso depõe contra a Câmara, depõe contra o PL, depõe contra as instituições. Só tenho que lamentar, não tem como você intervir”, afirmou.
Gleisi também defendeu que o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), deveria ter tentado fazer um acordo por um nome mais moderado. “Infelizmente, a Câmara vai pagar o preço. Não somos nós, não. É a instituição que vai pagar, e a sociedade também”, defendeu.
“O problema é que isso depõe contra a Casa, é isso que nós entendemos. É ruim para a Câmara. O Parlamento já tem uma avaliação negativa na sociedade, uma avaliação baixa. Aí coloca pessoas nesse nível, dessa qualidade, que não têm preparo, não têm estatura”, continuou.
A parlamentar diminuiu, porém, o impacto de nomes radicais no comando de comissões para o trabalho do governo federal. “Os projetos principais do governo não têm tramitado pelas comissões, aliás nenhum deles. É só vocês verem: as comissões estão esvaziadas, todos os projetos principais são em regime de urgência pra plenário. Nem a CCJ tem cumprido o seu papel de fazer uma análise mais profunda dos projetos”, explicou.