O tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens da Presidência de Jair Bolsonaro (PL), transferiu R$ 367.374,56 para uma conta bancária nos Estados Unidos em 12 de janeiro deste ano, três dias após os atos golpistas em Brasília (DF), onde bolsonaristas invadiram as sedes dos Três Poderes. O militar enviou o dinheiro para uma conta dele no BB Americas, braço da instituição financeira brasileira no exterior. A transferência teve como referência uma taxa cambial de cerca de R$ 5,20, e a conversão resultou em US$ 70.500.
De acordo com informações publicadas nesta quarta-feira (23) pela coluna de Mônica Bergamo, o documento sobre a transferência de R$ 367 mil feita por Cid foi enviado à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos atos golpistas. Parlamentares pediram a quebra de sigilo ao Banco Central, e ao Serviço de Perícias em Contabilidade da PF.
O coronel é investigado no caso das joias dados por governos de outros países, mas que, por lei, devem pertencer ao Estado brasileiro, e não podem ser incorporados a patrimônio pessoal. Policiais federais investigam o esquema e pediram a quebra de sigilos bancário e fiscal de Mauro Cid, de Bolsonaro e da ex-primeira-dama Michelle. Eles também foram intimados pela PF a prestar depoimento em 31 de agosto.
Outros registros financeiros apontaram que Cid aplicou ao menos R$ 250 mil em investimentos de renda fixa, por meio das modalidades CDB e CDI, em uma conta nacional. Ele fez o depósito em 13 de março de 2020. Em 30 de abril daquele ano, após alguns saques, o valor total caiu para R$ 135.500. As retiradas se tornaram mais frequentes nos meses seguintes. O tenente chegou a maio de 2021 com a aplicação zerada. Em junho de 2021, ele voltou a investir, chegando a um saldo de R$ 30 mil.
Cid deu entrada em um procedimento para enviar dinheiro ao exterior dias antes de deixar o Brasil ao lado de Jair Bolsonaro, em dezembro de 2022. O próprio ex-mandatário abriu conta em uma agência de Miami (EUA) do BB Americas dias antes de embarcar para o país estrangeiro.
Atualmente, Cid está preso no Distrito Federal após acusação de fraudes em cartões de vacina. Ele também falou à CPMI dos atos golpistas. No celular do tenente, policiais federais encontraram a minuta para um golpe de Estado no País com a decretação de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) e que previa estado de sítio "dentro das quatro linhas" da Constituição.
Fonte: Brasil247