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O Instituto Butantan desenvolveu uma molécula com grande potencial no tratamento da dor crônica
O Instituto Butantan desenvolveu uma molécula com grande potencial no tratamento da dor crônica
08/06/2023 09h24 Atualizada há 3 anos
Por: Redação
Foto: Reprodução

Em animais, o peptídeo aumentou a resistência à dor neuropática sem interferir em funções fisiológicas importantes do organismo

Pesquisadores do Instituto Butantan e da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, desenvolveram um peptídeo que se mostrou capaz de diminuir a dor crônica, condição que atinge 1,5 bilhão de pessoas no mundo. O desenvolvimento dessa molécula em laboratório é o início do caminho para um possível novo tratamento contra a condição debilitante.

A dor crônica atinge uma a cada cinco pessoas no mundo, segundo a Associação Internacional de Estudo da Dor. Os opioides (categoria que inclui a morfina) estão entre as substâncias mais utilizadas para o controle da dor. No entanto, é comum pessoas com a condição debilitante não responderem a eles. Além disso, há um alto risco de reações adversas, como redução dos efeitos do remédio e dependência física.

“Cada vez mais, a ciência busca compreender a dor relacionada a cada patologia. Entender como funciona, qual o mecanismo envolvido em determinado tipo de dor, quais as características genéticas de cada indivíduo, para tentar tratar os pacientes de uma forma mais individualizada", avalia a pesquisadora Vanessa Zambelli, do Laboratório de Dor e Sinalização, vinculado ao Centro de Desenvolvimento e Inovação (CDI), em comunicado.

No estudo publicado recentemente na revista científica Journal of Clinical Investigation, os pesquisadores testaram a nova molécula em modelos animais com dor neuropática. O novo peptídeo foi sintetizado a partir da descoberta de uma mutação no receptor TRPV1, que aumenta a resistência à dor sem prejudicar a função protetora.

Esse receptor é responsável por captar estímulos nocivos de calor e a sensação de ardência da pimenta. O peptídeo se liga no mesmo lugar do receptor onde ocorre a mutação. É como uma chave e fechadura. Quando o peptídeo estabelece essa ligação, ele reduz a atividade do receptor.

“A partir disso, desenvolvemos animais com essa alteração genética e testamos em diferentes modelos de dor. Nós vimos que os camundongos modificados foram mais resistentes à dor, tanto à induzida pela capsaicina como à dor induzida em um modelo de neuropatia – equivalente a uma lesão no nervo”, explica Zambelli.

Mas ainda era preciso verificar se a mutação não prejudicava as funções fisiológicas protetoras do receptor, como controle da temperatura corporal, captação de calor nocivo e proteção do sistema cardiovascular e do sistema nervoso. Os resultados mostraram que todas essas atividades continuaram preservadas.

O desenvolvimento dessa molécula é o primeiro passo para um possível novo tratamento contra dor crônica. Nas próximas etapas, serão feitos testes de toxicidade e do efeito do peptídeo em outros modelos experimentais. Além disso, os cientistas vão trabalhar formas de melhorar a estabilidade, a duração da ação e a “entrega” da droga, para que ela possa ser administrada por via oral ou injetável.

Fonte: O Globo