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Moraes afirma que é 'plausível' que haja informações falsas sobre a vacinação de Bolsonaro
Moraes afirma que é 'plausível' que haja informações falsas sobre a vacinação de Bolsonaro
03/05/2023 17h42 Atualizada há 3 anos
Por: Redação
Foto: Reprodução

Polícia Federal investiga adulteração no cartão de vacina do ex-presidente para conseguir entrar nos EUA

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou, na tarde desta quarta-feira, 3, o sigilo da decisão que autorizou as buscas na casa do ex-presidente Jair Bolsonaro. Ele disse que é "plausível" a linha de investigação de que Bolsonaro e seu grupo tenham inserido dados falsos sobre vacina para obter vantagens.

O ministro citou também a possibilidade de existir uma "organização criminosa" para adulterar os dados de vacinação.

A Polícia Federal investiga suspeita de fraude nos registros de vacina do ex-presidente e da filha, com a suspeita de uma falsa informação de que Bolsonaro se vacinou para poder entrar nos Estados Unidos.

"Diante do exposto e do notório posicionamento público de Jair Messias Bolsonaro contra a vacinação, objeto da CPI da Pandemia e de investigações nesta Suprema Corte, é plausível, lógica e robusta a linha investigativa sobre a possibilidade de o ex-presidente da República, de maneira velada e mediante inserção de dados falsos nos sistemas do SUS, buscar para si e para terceiros eventuais vantagens advindas da efetiva imunização, especialmente considerado o fato de não ter conseguido a reeleição nas eleições gerais de 2022", escreveu o ministro.

Segundo Moraes, os indícios de crime são "relevantes" e a suposta organização criminosa buscou, além de benefícios pessoais, descredibilizar o sistema de vacinação no país.

"São absolutamente relevantes os indícios da ocorrência efetiva dos crimes, especialmente no contexto agora noticiado de inserção de dados falsos em sistema de informações , o que indicaria, nos termos dos indícios já colhidos, a efetiva existência de uma organização criminosa articulada, com divisão de tarefas e de múltiplos objetivos, tanto no âmbito particular dos investigados, como em aspectos relacionados ao interesse público, em detrimento da credibilidade interna e externa do exemplar controle de vacinação nacional em pleno período pandêmico", complementou.

De acordo com o ministro, não tem credibilidade a versão de que o ajudante de ordens de Bolsonaro, o tenente-coronel Mauro Cid, tenha inserido os dados falsos sem a autorização do ex-presidente.

"Não há qualquer indicação nos autos que conceda credibilidade à versão de que o ajudante de ordens do ex-Presidente da República Jair Messias Bolsonaro pudesse ter comandado relevante operação criminosa, destinada diretamente ao então mandatário e sua filha, sem, no mínimo, conhecimento e aquiescência daquele, circunstância que somente poderá ser apurada mediante a realização da medida de busca e apreensão requerida pela autoridade policial", pontuou Moraes.