Geral Geral
Petrobras propõe criar reserva estatutária através da retenção de 65 bilhões de dividendos
Petrobras propõe criar reserva estatutária através da retenção de 65 bilhões de dividendos
02/03/2023 08h24 Atualizada há 3 anos
Por: Redação
Foto: Reprodução

Se aprovada em assembleia, recomendação do conselho da estatal vai reduzir fatia distribuída a acionista de R$ 35,8 bilhões para R$ 29,3 bilhões

Pouco antes de divulgar seu lucro recorde de 2022, a Petrobras informou ao mercado, nesta quarta-feira, que quer reter parte de seus dividendos referentes ao último trimestre para a criação de uma “reserva estatutária”.

A estatal aprovou a distribuição de R$ 35,8 bilhões em dividendos. Mas seu Conselho de Administração recomendou que R$ 6,9 bilhões deste montante sejam destinados a essa reserva, cuja finalidade não foi detalhada.

A proposta será submetida à assembleia geral de acionistas da empresa, prevista para 27 de abril. E, segundo a estatal, caso os acionistas não acatem a sugestão do conselho de criar esta reserva e reter parte do valor, a recomendação dos conselheiros é que o saldo remanescente seja pago em 27 de dezembro de 2023.

Dividendos recordes

 

Em 2022, a Petrobras distribuiu um total de R$ 215,8 bilhões em dividendos a acionistas, um recorde. A empresa foi a segunda maior pagadora de dividendos no mundo.

As cifras levantaram críticas do governo Lula e do PT à política da estatal. A presidente do PT, Gleisi Hoffmann, afirmou recentemente que os dividendos da petrolífera eram "indecentes".

Veja os dividendos pagos pela Petrobras nos últimos anos:

  • 2018: R$ 7,1 bilhões
  • 2019: R$ 10,7 bilhões
  • 2020: R$ 10,3 bilhões
  • 2021: R$ 101,4 bilhões
  • 2022: R$ 215,8 bilhões

 

No comunicado enviado ao mercado, a Petrobras explica que a recomendação da diretoria da estatal para reter parte do dividendos, acatada pelo Conselho, é embasada no fato de que este montante supera o previsto na fórmula de cálculo da política de distribuição de lucros da empresa.

O modelo de distribuição de dividendos prevê que, em caso de endividamento bruto inferior a US$ 65 bilhões, a Petrobras pode distribuir aos seus acionistas 60% da diferença entre o fluxo de caixa operacional e investimentos.

Do total de dividendos, o governo federal (União e BNDES) tem direito a uma fatia de 36,61%.

Fonte: O Globo