Pouco antes de divulgar seu lucro recorde de 2022, a Petrobras informou ao mercado, nesta quarta-feira, que quer reter parte de seus dividendos referentes ao último trimestre para a criação de uma “reserva estatutária”.
A estatal aprovou a distribuição de R$ 35,8 bilhões em dividendos. Mas seu Conselho de Administração recomendou que R$ 6,9 bilhões deste montante sejam destinados a essa reserva, cuja finalidade não foi detalhada.
A proposta será submetida à assembleia geral de acionistas da empresa, prevista para 27 de abril. E, segundo a estatal, caso os acionistas não acatem a sugestão do conselho de criar esta reserva e reter parte do valor, a recomendação dos conselheiros é que o saldo remanescente seja pago em 27 de dezembro de 2023.
Em 2022, a Petrobras distribuiu um total de R$ 215,8 bilhões em dividendos a acionistas, um recorde. A empresa foi a segunda maior pagadora de dividendos no mundo.
As cifras levantaram críticas do governo Lula e do PT à política da estatal. A presidente do PT, Gleisi Hoffmann, afirmou recentemente que os dividendos da petrolífera eram "indecentes".
Veja os dividendos pagos pela Petrobras nos últimos anos:
No comunicado enviado ao mercado, a Petrobras explica que a recomendação da diretoria da estatal para reter parte do dividendos, acatada pelo Conselho, é embasada no fato de que este montante supera o previsto na fórmula de cálculo da política de distribuição de lucros da empresa.
O modelo de distribuição de dividendos prevê que, em caso de endividamento bruto inferior a US$ 65 bilhões, a Petrobras pode distribuir aos seus acionistas 60% da diferença entre o fluxo de caixa operacional e investimentos.
Do total de dividendos, o governo federal (União e BNDES) tem direito a uma fatia de 36,61%.
Fonte: O Globo