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Putin mobiliza reservistas na Ucrânia e faz ameaça nuclear velada: ‘Iremos usar todos os meios. Isso não é um blefe’
Putin mobiliza reservistas na Ucrânia e faz ameaça nuclear velada: ‘Iremos usar todos os meios. Isso não é um blefe’
21/09/2022 07h55 Atualizada há 4 anos
Por: Redação
Foto: Reprodução

Mais cedo, governo da Ucrânia acusou a Rússia de bombardear a usina nuclear de Zaporíjia

Em pronunciamento à nação pela TV, nesta quarta-feira, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, anunciou uma "mobilização parcial" dos russos em idade de combater na Ucrânia e advertiu o Ocidente que o país está disposto a utilizar "todos os meios" em sua defesa.

O ministro da Defesa do país, Serguei Shoigu, explicou que a ordem envolve 300 mil reservistas, o que, em suas palavras, representa apenas "1,1% dos recursos que podem ser mobilizados". A ordem é efetiva a partir desta quarta-feira. O decreto foi publicado pouco depois da exibição do discurso no portal do Kremlin.

— Chantagem nuclear tem sido usada, e não estamos falando apenas do bombardeio da usina de Zaporíjia. Mas também de pronunciamentos de altos representantes da Otan sobre a possibilidade de usarem armas de destruição em massa contra a Rússia — declarou Putin, que acusou os países ocidentais de querer "destruir" a Rússia e por uma "chantagem nuclear" contra seu país, dando a entender que suas forças estariam dispostas a utilizar armamento nuclear. — Utilizaremos todos os meios à nossa disposição para proteger a Rússia e nosso povo. Isto não é um blefe.

Após o anúncio, na terça-feira, sobre a organização de "referendos" de anexação de quatro regiões do leste e do sul da Ucrânia a partir de sexta-feira, as declarações do presidente russo marcam uma mudança no conflito, iniciado em 24 de fevereiro.

Mais cedo, o governo da Ucrânia acusou a Rússia de bombardear a usina nuclear de Zaporíjia novamente. A informação do bombardeio foi divulgada pela operadora nuclear ucraniana Energoatom. "Terroristas russos bombardearam novamente a usina nuclear de Zaporíjia durante a noite", disse a operadora, num post no Telegram.

Diante das contraofensivas relâmpago das forças ucranianas, que provocaram o recuo do Exército russo, Putin optou por uma escalada no conflito, com uma medida que abre o caminho para o envio de mais militares russos à Ucrânia. Nos últimos dias, rumores sobre uma mobilização geral provocaram preocupação entre muitos russos.

— Considero necessário apoiar a proposta (do ministério da Defesa) de mobilização parcial dos cidadãos na reserva, aqueles que já serviram e que têm experiência pertinente — declarou Putin. — Estamos falando apenas de uma mobilização parcial.

O país reconheceu a morte de 5.937 soldados na Ucrânia – um número muito inferior às estimativas ucranianas e ocidentais.

O ministro da Defesa russo, Sergei Shoigu, afirmou que a convocação para a guerra representa apenas uma pequena parte do número de pessoas mobilizadas no país, que, segundo ele, corresponderia a um total de 25 milhões de cidadãos.

Bombardeio

 

O bombardeio à usina de Zaporíjia danificou uma linha de energia, causando o desligamento de vários transformadores do reator número 6 da usina, divulgou a Energoatom.

"Nem mesmo a presença de inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) parou os russos", acrescentou a empresa, que pediu ao órgão da ONU que tome "medidas mais decisivas" contra Moscou.

A usina de Zaporíjia, ocupada pelas forças russas desde as primeiras semanas da invasão da Ucrânia, iniciada em fevereiro, foi alvo de repetidos bombardeios nos últimos meses.

Visão geral da usina nuclear de Zaporíjia, ocupada pela Rússia, vista de Nikopol — Foto: Ed Jones / AFP

Kiev e Moscou acusam-se mutuamente, numa espécie de chantagem nuclear.

Duas outras instalações nucleares foram arrastadas para a guerra da Rússia contra a Ucrânia, apesar dos repetidos apelos da comunidade internacional para evitar que essas instalações sofram uma catástrofe continental.

Na segunda-feira, Kiev acusou Moscou de bombardear a zona industrial de sua usina nuclear de Pivdennoukrainsk (no Sul).

No início da invasão, as forças de Moscou também ocuparam a usina de Chernobyl (Norte), que em 1986 sofreu o pior acidente nuclear da história. A planta dessa usina, fechada desde 2000, está localizada em uma área altamente contaminada por resíduos radioativos.

Fonte: O Globo