Técnicos do tribunal chegaram a simular a mudança, mas consideraram que a medida pode tumultuar o dia das eleições. O chefe da corte não teria confirmado detalhes da reformulação, que pode ser implementada nas eleições de outubro deste ano, mas vai conversar com os demais ministros do tribunal para avaliar o modelo que pode ser usado.
Segundo apurou o jornal Folha de S. Paulo, Moraes se comprometeu com os militares a fazer uma rodada de conversa com os Tribunais Regionais Eleitorais (TREs), para avaliar a viabilidade de se fazer um teste de integridade nos moldes sugeridos pelas Forças Armadas.
Ainda existem dúvidas sobre quantas urnas serão utilizadas no projeto-piloto do teste de integridade, assim como não se sabe se a escolha das urnas será por sorteio, como tradicionalmente ocorre. Mas o TSE prevê realizar o teste em cerca de 650 urnas neste ano, cerca do triplo dos equipamentos auditados em pleitos anteriores. Em nota, a corte eleitoral disse que o projeto-piloto, se aprovado, seria para adotar a biometria em "algumas urnas indicadas para o referido teste".
Além da discussão sobre o teste de integridade, a equipe do tribunal apresentou aos militares os relatórios finais dos testes de verificação das urnas modelo UE2020, realizados pela USP (Universidade de São Paulo), Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e UFPE (Universidade Federal de Pernambuco.
Os técnicos da corte ainda afirmaram que os boletins de urna serão disponibilizados pelo TSE logo após o fim da eleição, para que as entidades fiscalizadoras consigam fazer as próprias conferências e totalizações dos votos.
Participaram da reunião o coronel Marcelo Nogueira de Sousa, que coordena a equipe de militares que fiscaliza o pleito, e o general Rodrigo Vergara, assessor de Paulo Sérgio Nogueira. Do lado do TSE estavam o secretário de tecnologia da informação, Júlio Valente, e o secretário-geral da corte, José Levi.
Sugestão dos militares
O objetivo é testar se a urna processa corretamente o voto, comparando a soma dos votos na cédula com o boletim de urna. Os militares defendem que a urna seja testada na própria seção eleitoral (hoje ela é levada aos TREs) e um eleitor use a biometria para liberar a urna eletrônica (hoje um servidor da Justiça Eleitoral libera a urna para digitação).
Contraponto
Apesar da simulação do uso da biometria, técnicos da corte dizem, reservadamente, que mudar as regras semanas antes das votações pode tumultuar o processo eleitoral, além de ser trabalhoso e ter baixo poder de aperfeiçoar a segurança e a transparência do voto.
Por outro lado, ministros do governo Jair Bolsonaro (PL) se dizem esperançosos que o novo presidente do TSE atenda as Forças Armadas.
Apesar do pedido inicial ter sido feito em junho, o então presidente do TSE, Edson Fachin, não aceitou a proposta por considerar a CTE o foro adequado para as discussões.
Fonte: A Tarde