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Tesouro Selic, fundos ou poupança? Alta dos juros torna renda fixa ainda mais atraente. Veja onde aplicar
Tesouro Selic, fundos ou poupança? Alta dos juros torna renda fixa ainda mais atraente. Veja onde aplicar
04/08/2022 08h16 Atualizada há 4 anos
Por: Redação
Foto: Reprodução

Selic subiu para 13,75%, maior patamar desde final de 2016. Para quem aceita mais riscos, ações e multimercados são opções

A elevação da Selic para 13,75% ao ano, maior patamar desde o final de 2016, reforça a tendência de valorização das aplicações em renda fixa. O Comitê de Política Monetária (Copom) anunciou, nesta quarta-feira, o aumento da taxa básica de juros em 0,50 ponto percentual.

 

As opções de investimento são variadas, indo desde o Tesouro Selic até os fundos multimercados, e devem ser feitas com base no perfil de risco, objetivos e prazo para resgatar os recursos de cada investidor.

Quando se olha para os fundos de renda fixa DI, a estimativa é que a maior parte deles tenha rendimento superior ao da poupança, mesmo com taxas de administração acima dos 3%. E os analistas lembram que é possível manter apostas na Bolsa.

A nova elevação dos juros tende a aumentar o rendimento das aplicações em renda fixa, principalmente, daquelas atreladas à Selic ou ao CDI, que acompanha de perto a taxa básica.

 

Mas o investidor deve estar atento, pois o cenário tanto interno quanto externo estão mais desafiadores, com os ativos de renda fixa e variável tendendo a oscilar mais ao longo do tempo.

— De maneira geral, tudo o que temos olhado em renda fixa tem performado bem, em termos de aumento de taxa. As oportunidades têm ficado melhores, seja em títulos públicos, bancários ou de crédito privado — disse a analista de renda fixa da XP, Camilla Dolle.

Pós-fixados

 

Segundo analistas ouvidos pelo GLOBO, aplicações pós-fixadas, aquelas que acompanham os juros, são boas opções, especialmente para quem quer correr menos risco, já que elas oscilam pouco até o vencimento. Esses investimentos são mais aconselhados para objetivos de menor prazo.

Entre elas, destacam-se os títulos do Tesouro Direto atrelados à Selic, certificados de depósitos bancários (CDBs) letras de crédito imobiliário (LCIs) e letras de crédito do agronegócio (LCAs), além dos fundos DI.

 

O risco de calote dos títulos emitidos pelos bancos privados sempre existe, mas o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) oferece proteção até o limite de R$ 250 mil por CPF por instituição financeira.

Vale destacar também que LCIs e LCAs são isentos de imposto de renda.

— Se o investidor não tem uma reserva de emergência, deveria ir para um CDB com liquidez diária. Agora, se o objetivo é de médio prazo, os investimentos indexados ao IPCA estão pagando um juro real alto. Além disso, há LCIs e LCAs que se comparam com CDBs que rendem acima de 100% do CDI, já que são isentas de IR — destaca o educador financeiro do C6 Bank, Liao Yu Chieh.

Títulos atrelados à inflação e prefixados

 

Para quem aceita correr mais riscos, também há investimentos em renda fixa interessantes. De acordo com os especialistas, nesses casos, o investidor pode reduzir sua exposição em pós e aumentar em prefixados e atrelados à inflação.

Os títulos atrelados à inflação remuneram o IPCA mais uma taxa prefixada definida no momento da aplicação. Com isso, o investidor se protege do aumento dos preços no período e pode ganhar mais, já que a parte prefixada está alta, com a perspectiva de uma Selic ainda elevada.

Para os especialistas, o momento pode ser positivo para a aquisição dos prefixados, que remuneram uma taxa definida na hora da aplicação, pois a expectativa é que o ciclo de altas da Selic está próximo do fim.

Mas em ambos os casos, a atenção deve ser redobrada, pois a renda fixa não é tão fixa assim. As taxas e preços dos títulos variam diariamente até a data de vencimento pelos mais diversos motivos, que vão desde a divulgação de dados econômicos até as incertezas políticas.

Dessa forma, aqueles que estejam interessados em resgatar o ativo investido antes do prazo final precisam estar atentos a esses ganhos ou perdas, pois é possível que a curva de juros do mercado em um determinado momento seja diferente da taxa de cupom da época da aquisição do ativo.

No caso dos prefixados, por exemplo, o Banco Central (BC) pode demorar mais tempo a começar a cortar os juros e a pessoa que adquiriu o ativo ficará presa em um título com rendimento abaixo da Selic.

— Quando a gente fala de prefixado, temos preferido prazos mais curtos, em torno de dois a três anos, por conta de toda a incerteza que temos no mercado. Para proteger da inflação, o ideal é investir em ativos atrelados à inflação de fato, os IPCA+, e levando até o vencimento, que é até onde podemos garantir a proteção contra a inflação — disse Camila.

O especialista em investimentos do banco Santander, Arley Júnior, destaca que o banco possui posição em ativos na classe de inflação, apesar de não terem aumentando a exposição já que a expectativa é de redução dos preços no curto prazo.

— Quando olhamos os prazos intermediários e mais longos, os preços estão interessantes. Preferimos o intermediário pela relação risco/retorno. Estamos falando de 2026 a 2028.

Poupança x Fundos DI

 

Com a elevação da Selic para 13,75%, os fundos de renda fixa DI continuam a se destacar ante a caderneta de poupança. Segundo estimativas da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), as aplicações nesses fundos, em alguns casos, chegam a ter desempenho melhor que a poupança até com taxa de 3% ao ano.

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Vale lembrar que desde dezembro foi alterado o cálculo do rendimento da poupança. No atual cenário, o rendimento é de 0,5% ao mês mais a TR. Em 12 meses com a taxa nesse patamar, o rendimento gira em torno de 6,17% ao ano mais a TR.

— Com o nível de Selic hoje e a regra do produto, o investidor consegue encontrar opções mais rentáveis para aquele dinheiro de curto prazo — afirmou o especialista do Santander sobre a poupança.

Quanto rende?

 

Segundo simulações feitas pelo educador financeiro do C6, ao aplicar R$ 1 mil em Tesouro Selic ou CDB que paga 100% do CDI durante um ano, após a incidência de Imposto de Renda de 17,5% para esse prazo, o resgate seria de R$ 1.113,03.

Os cálculos levam em consideração a expectativa média de mercado para os juros futuros após o fim do pregão de ontem, quando já se esperava uma Selic em 13,75%.

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A poupança, com o mesmo intervalo de tempo, traria retorno de R$ 1.082,91, considerando a TR estimada de 2% ao ano.

Os títulos de renda fixa estão sujeitos a tributação do Imposto de Renda pela tabela regressiva. Para resgates entre 361 dias a 720 dias, a alíquota é de 17,50% sobre o rendimento, o percentual usado no cálculo acima. Passados dois anos, a tributação cai para 15%.

Renda Variável

 

Mesmo com a renda fixa estando mais atrativa, o investidor que aceita tomar mais risco não deve abandonar a renda variável.

Como destaca o especialista do Santander, fundos multimercados, que investem em várias classes de ativos, estão com bons rendimentos.

A Bolsa também deve ser vista como uma opção, levando em conta o nível de desconto dos papéis.

— Se o investidor é mais balanceado, damos opções mais defensivas como empresas pagadoras de dividendos. Se ele é arrojado e entende as oscilações, temos estratégias mais compradas em Bolsa—disse.

Sobre o investimento em bolsas no exterior, o especialista ainda enxerga maior cautela devido às indefinições do mercado sobre a expectativa em relação aos juros americanos.

Fonte: O Globo