Geral Geral
Câmara aprova limite do ICMS sobre combustível; projeto vai à sanção
Câmara aprova limite do ICMS sobre combustível; projeto vai à sanção
15/06/2022 08h18 Atualizada há 4 anos
Por: Redação
An employee works at a gas station in downtown Sao Paulo, Brazil, on December 31, 2021. - Even though 2021 had been anticipated as the year of economic recovery in Brazil, high inflation and the complications derived from the pandemic, are forcing Brazili

Proposta limita alíquota do imposto em 17% e deve reduzir arrecadação de estados

A Câmara aprovou nesta terça-feira (14), de forma unânime, por 348 votos, o projeto de lei que limita em 17% a alíquota do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre os combustíveis e energia elétrica com o objetivo de baixar preços e tarifas.

Essa foi a segunda vez que deputados aprovaram o projeto. Em maio, ele já havia sido aprovado pela Câmara e seguiu para o Senado.

No Senado, ele foi votado e aprovado na segunda-feira (13), em sessão extraordinária. Como ele foi modificado por senadores, precisou ser avaliado novamente pela Câmara.

Aprovado de novo, o projeto de lei agora segue para sanção do presidente Jair Bolsonaro (PL). Ele já declarou apoio à proposta. Deve, portanto, convertê-la em lei.

O projeto determina que itens de energia, comunicação e transporte coletivo são essenciais. Incluídos nesta lista, o ICMS sobre esses bens e serviços não pode passar de 17%. Hoje, há estados que cobram até 30% sobre gasolina e luz, por exemplo.

Esse ICMS financia políticas públicas de saúde e educação em estados e municípios. Por isso, a limitação dele não é bem vista por governadores e prefeitos.

O Fórum Nacional de Governadores já estimou perdas de R$ 65 bilhões em arrecadação com o limite. A Confederação Nacional dos Municípios, por sua vez, estimou que as prefeituras perderão R$ 15 bilhões de sua participação do imposto.

O governo federal propõe suspender a cobrança de dívidas de estados para compensar a eventual perda de arrecadação.

Mais R$ 29 bilhões

Para além da limitação do ICMS, o presidente Bolsonaro defende que a cobrança do imposto seja suspensa exclusivamente sobre combustíveis e gás de 1º de julho a 31 de dezembro – período que coincide com a campanha à reeleição.

A ideia faz parte de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que também tramita no Senado. Pela proposta, estados não seriam obrigados a zerar o ICMS. Mas, se o fizessem, seriam recompensados por repasses direto do governo federal. Essa compensação, de acordo com contas do governo apresentadas pelo senador Bezerra, custaria até R$ 29,6 bilhões.

Para conseguir fazer esses pagamentos, uma exceção ao Teto de Gastos do Orçamento Federal deverá ser aprovada.

Essa proposta do governo já foi classificada como “mambembe”, improvisada e desesperada por economistas e integrantes de movimentos populares. Segundo fontes ouvidas pelo Brasil de Fato, ela não garante a redução do combustível, já que não lida com a causa dos aumentos no Brasil: a política de preços praticada pela Petrobras.

Ainda não há previsão sobre quando essa medida será votada no Senado.

Edição: Rodrigo Durão Coelho

Fonte: Brasil de Fato