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Piora: 1/3 da população da América Latina estará na pobreza até o fim do ano, aponta Cepal
Piora: 1/3 da população da América Latina estará na pobreza até o fim do ano, aponta Cepal
10/06/2022 08h50 Atualizada há 4 anos
Por: Redação
A homeless man eats a meal given to him by the project Covid Sem Fome (Covid Without Hunger) at the internationally renown tourist attraction of the Lapa Arches, in downtown Rio de Janeiro, Brazil, on May 05, 2021. (Photo by MAURO PIMENTEL / AFP)

Comissão da ONU aponta que mais 7,8 milhões de latino-americanos entrarão para pobreza este ano

A Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal) apresentou nesta semana um novo relatório com previsões econômicas para a região. A expectativa é de que até o final de 2022, mais 8 milhões de pessoas passarão a viver em situação de insegurança alimentar somando 94,4 milhões de latino-americanos que não terão condições de realizar três refeições diárias.

A pobreza também deve aumentar. Um terço, ou 33,7% da população regional estará em situação de pobreza até o final do ano, enquanto 14,9% em situação de pobreza extrema - o que significa que terão menos U$ 1,90 por dia (cerca de R$ 9) para subsistir.

Os países mais afetados serão Guatemala, que pode chegar à cifra de 49,5% de pobres, seguida da Nicarágua com 46% da população em situação de pobreza e a Colômbia com 38%. O Brasil estaria em 11º no ranking com cerca de 21,4% da população pobre.

Hoje cerca de 17,5 milhões de famílias brasileiras vivem com renda per capita mensal de até R$ 105, de acordo com o Cadastro Único.

Para determinar a linha de extrema-pobreza, a ONU e o Banco Mundial têm como referência: US$ 1,90 por dia para países de renda baixa, US$ 3,20 por dia para países de renda média-baixa e US$ 5,50 para países de renda média-alta. Já a definição da linha da pobreza varia em cada país.

Guerra, inflação e pandemia

O aumento de 1,6% dos pobres na região colide com os dados de crescimento econômico. A previsões da Cepal é de que as economias da América Latina cresçam 1,8% e as exportações, 23%.

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Segundo a Comissão vinculada à ONU, a situação da pandemia, a guerra na Ucrânia e as altas taxas inflacionárias em todo o mundo seriam os principais fatores que empurram a população latino-americana para a pobreza.

Em abril, a média da inflação para América Latina foi de 8,1%. No Brasil, a situação é ainda mais crítica, em maio o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) foi de 11,73% no acumulado do ano. Um estudo realizado em abril pela Tendências Consultoria prevê que o total de domicílios brasileiros considerados pobres (classes D e E) devem representar 50,7% da população brasileira até o final de 2022.

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A Cepal recomenda aos governos regionais implementar políticas monetárias e cambiais que controlem a inflação. "A segurança alimentar deve ser uma prioridade. Para isso não se deve restringir o comércio internacional de alimentos e fertilizantes, pois isso iria acelerar a inflação e prejudicaria os mais pobres",  apontam no comunicado.

No início de 2022, a Organização para Agricultura e Alimentação (FAO) das Nações Unidas já havia notificado um aumento de 28,1% nos preços internacionais dos alimentos - o maior incremento da última década.

"América Latina e Caribe enfrentam novos cenários geopolíticos. Diante da regionalização da economia mundial, a região não pode continuar atuando de maneira fragmentada", defende o secretário executivo interino da Cepal, Mario Cimoli.

Na contramão das orientações da Cepal para o controle da inflação, o Banco Central brasileiro foi o que mais subiu a taxa de juros, chegando a 12,75%, na frente do chileno, que aumentou 8,25% os juros e o colombiano com 6% de aumento.

Edição: Rodrigo Durão Coelho

Fonte: Brasil de Fato