Geral Geral
Sarampo: Com 30% de cobertura vacinal, país tem risco de surtos avançarem pelo Brasil
Sarampo: Com 30% de cobertura vacinal, país tem risco de surtos avançarem pelo Brasil
31/05/2022 07h20 Atualizada há 4 anos
Por: Redação
Foto: Reprodução

A cobertura da vacinação de sarampo entre crianças de 6 meses a 4 anos alcançou 29,68% ao longo da campanha de imunização do Ministério da Saúde, que vai até a próxima sexta-feira

Quase uma a cada três crianças de 6 meses a 4 anos tomou uma dose da vacina contra sarampo. Com mais de 3,8 milhões de doses aplicadas na faixa etária, dados do Locsultifatorial: a avaliação é de que também falta acesso e sobra desinformação. Com postos de saúde em horários de funcionamento incompatíveis aos do expediente dos pais, sem campanhas de imunização em escolas e diante de informações falsas que colocam em xeque a importância das vacinas, tem-se o panorama de uma vacinação que desacelera e passa a caminhar a passos ora mais curtos, ora mais lentos.

Gestores de postos de saúde ouvidos pelo GLOBO sob condição de anonimato analisam que falta divulgação e campanhas de comunicação por parte do ministério, o que leva à redução da procura às unidades. Nesse sentido, profissionais de saúde ganham uma “tarefa extra” ao ter que explicar aos pais e responsáveis a necessidade e a segurança da vacinação.

— Essa taxa (de 29,68% na atual campanha) é muito pequena. É assustadora. Chego a torcer para que estejamos com delay de registros e tenhamos vacinado mais. Num país reconhecido pelo programa de imunização, isso é muito preocupante, porque, mais uma vez, vemos uma campanha de vacinação sem sucesso — explica a pediatra e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Isabella Ballalai.

O avanço da doença se traduz em números diante do aumento de 35,71% no total de casos em pouco mais um mês. Segundo o último Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde, divulgado na sexta-feira, o Brasil confirma 19 infecções por sarampo — eram 14 até 20 de abril —, concentradas em São Paulo e no Amapá, e investiga outras 217. Não há registro de mortes em 2022.

Com R0 (taxa de transmissão) calculado num intervalo entre 12 e 18, o vírus do sarampo é considerado o mais contagioso do mundo: na prática, um paciente com sarampo pode infectar até outras 18 pessoas, aumentando o risco diante da baixa adesão à vacina. A título de comparação, a da variante Ômicron — a maior transmissível entre os coronavírus — varia de seis a dez.

O contágio se dá, principalmente, de pessoa para pessoa, por via respiratória: tosse, espirro, fala e respiração. Febre, tosse persistente, irritação ocular e secreção nasal são os principais sintomas, seguidos por manchas avermelhadas pelo corpo. Há risco de desenvolver infecção nos ouvidos, pneumonia, convulsões, lesão cerebral até levar à morte. Nesse sentido, o consenso médico é de que a vacinação em massa é a melhor forma de proteção tanto a nível individual quanto coletivamente:

— É muito difícil combater um surto de sarampo, porque a taxa de transmissão é extremamente elevada. A medida mais efetiva é instituir campanhas de imunização em massa para tentar vacinar o mais rápido possível. A vacina é extremamente efetiva contra infecção, hospitalização e óbito — finaliza o infectologista, ex-diretor do Departamento de Imunização e Doenças Transmissíveis do ministério.

Fonte: O Globo