"A cultura vem se desenvolvendo bem, então se espera que tenhamos produtividade tanto quanto a safra passada, ou até melhor, o que daria em torno de 588 mil toneladas de algodão em pluma", avalia Luiz Carlos Bergamaschi, presidente da Associação Baiana de Produtores de Algodão (Abapa). Em visita ao Grupo A TARDE, o produtor comentou as iniciativas e os planos do segmento, que responde pela segunda maior produção no Oeste da Bahia, depois da soja.
"O produtor já está planejando a próxima safra. Teremos uma dificuldade em relação ao custo, os preços dos insumos aumentaram muito. Então o agricultor está nessa tomada de decisão, de planejar a próxima safra dentro desse novo cenário que temos", aponta Bergamaschi, catarinense que chegou à Bahia ainda nos anos 90, onde se firmou como tradicional produtor da região do Rosário, na divisa entre a Bahia e Goiás.
Sem sombra de dúvida, na Bahia, Oeste é sinônimo de algodão: 98% da área plantada da cultura no estado está na região. Os outros 2% são produzidos no Sudoeste baiano. Em 20 anos, a área cultivada de algodão no Oeste cresceu 473%, com uma alta de 701% na produção. Além do algodão em pluma, também é produzido o caroço de algodão, utilizado na alimentação animal.
Terra do algodão, a Bahia também será palco da 13ª edição do Congresso Brasileiro do Algodão. O evento acontece em agosto, em Salvador. "Era para ter ocorrido em 2021, mas, em função da pandemia, foi postergado para 2022. A nossa expectativa é de que seja um grande congresso, semelhante ao último que ocorreu, em Goiânia, com mais de 3 mil inscritos. É a reunião de toda a cadeia, para discutir a evolução, as perspectivas para o futuro", afirma o presidente da Abapa.
Além da importância econômica, os produtores também são responsáveis por outras iniciativas que levam desenvolvimento à região. Entre elas, a criação de um centro de treinamento para associados e a comunidade local. Há também um projeto de recuperação de estradas vicinais do Oeste. "É uma parceria entre a associação, o Instituto Brasileiro do Algodão, os produtores do trecho asfaltado e também com recursos do Prodeagro junto com a Aiba [Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia]", explica Bergamaschi.
"Nesses últimos anos, pavimentamos 166 km de estradas. Para esse ano, a expectativa é pavimentar em torno de 105 km, de um total de projeto de 730 km. Essa dificuldade de logística, de transporte, nós estamos atendendo com pavimentação. Isso beneficia não só o produtor, barateando o custo, mas toda a sociedade", completa.
No Oeste da Bahia, o agronegócio gera aproximadamente 95 mil postos de trabalho diretos e indiretos. Além disso, responde por 25% do Produto Interno Bruno (PIB) baiano.
O algodão plantado em regime de sequeiro é predominante na Bahia, com 255.361,17 hectares, contra apenas 51.014 hectares sob irrigação, o que significa, em termos percentuais, 83,35% e 16,65%, respectivamente.
Apesar disso, a Abapa e a Aiba, em parceria com a Universidade Federal de Viçosa (UFV) e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), monitoram o Aquífero Urucuia, um manancial de 142 mil km² de extensão localizado na margem esquerda do Rio São Francisco. As entidades de produtores investiram recursos para um estudo do potencial do aquífero para o uso sustentável para a agricultura.