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Por vaga na Câmara, Queiroz 'cava' apoio de Bolsonaro e encontra resistência em siglas aliadas do presidente
Por vaga na Câmara, Queiroz 'cava' apoio de Bolsonaro e encontra resistência em siglas aliadas do presidente
22/01/2022 10h23 Atualizada há 4 anos
Por: Redação

Pivô do caso das rachadinhas no antigo gabinete do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e símbolo das suspeitas de corrupção que envolvem a família presidencial, o policial militar reformado Fabricio Queiroz, animado pelo esfriamento das investigações do caso, quer se candidatar a deputado federal. Em entrevistas e publicações nas redes sociais, por ora sem sinal de cobrança explícita, ele deixa claro que pretende contar com o apoio do presidente a seu nome. Bolsonaro até agora não fez gesto público em relação ao amigo, que sofre para encontrar um partido que abrigue alguém com seu histórico.

Até nas legendas mais fiéis a Bolsonaro há forte resistência ao ingresso de Queiroz. O GLOBO ouviu dez dirigentes de oito siglas. Cinco delas são da base do governo — PL, PP, Republicanos, PTB e PRTB — e três se dizem independentes: União Brasil, MDB e PSD. Nenhum deles se mostrou favorável à possibilidade de se tornar correligionário do ex-policial. A contrariedade é ainda maior entre os políticos desse universo que ocupam assentos de comando em diretórios do Rio, domicílio eleitoral de Queiroz.

Flávio evita compromisso

A maior parte falou sob a condição de anonimato, alegando receio de criar arestas com a família presidencial, de quem Queiroz é próximo desde a década de 1980. Já o presidente do PL no Rio, deputado Altineu Côrtes, confirmou que se encontrou com Flávio Bolsonaro na semana passada para discutir candidaturas do partido ao Congresso, mas disse que jamais tratou sobre os planos eleitorais de Queiroz.

Em seus perfis nas redes sociais, Queiroz tem feito acenos ao PTB. O ex-PM já publicou inclusive fotos homenageando o ex-deputado Roberto Jefferson, cacique histórico da sigla, e que está preso desde agosto do ano passado. O GLOBO apurou com lideranças da legenda, porém, que o amigo da família Bolsonaro não seria bem-vindo.

Há uma semana, em entrevista ao “Estado de S.Paulo”, Queiroz afirmou que, se receber apoio explícito de Bolsonaro, será eleito o deputado mais votado do Rio. Foi um primeiro pedido indireto de ajuda. Outro recado implícito veio ontem. Depois da publicação de uma entrevista à revista Veja em que outro amigo de longa data da família Bolsonaro, Waldir Ferraz, admite que havia rachadinha nos gabinetes do clã — atribuindo a culpa à ex-mulher de Jair Bolsonaro, Ana Cristina Valle — Queiroz publicou: “Se isso é amigo, imagina se fosse inimigo”, escreveu o ex-policial. A frase remete à lealdade que o próprio Queiroz sempre manteve com a família Bolsonaro durante toda a investigação da rachadinha na Alerj.

Fonte O Globo